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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

10/03/2008 - Parte IV

Ufa! 8:01. Eles nasceram. E agora?

Bom, não preciso dizer que esses foram os 2 ou 3 minutos mais longos da minha vida. Cada bolsa que estourava, cada filho que nascia e meu marido saia correndo seguindo o pediatra que levou nosso filhote para a outra sala. Ele tentou, ao máximo, filmar tudo... E eu??? Eu não podia fazer nada. Era uma inútil sem qualquer possibilidade de me levantar. As pessoas corriam de um lado pro outro, viam as crianças, voltavam, pegavam outro filho, saiam, voltavam e eu? e eu?????

Eu conseguia falar, pedia explicações do que estava acontecendo pro meu marido, mas ele parecia que estava com formigas pelo corpo. Não parava quieto.

Eu já sabia que não poderia pegar meus filhos no colo no dia do nascimento deles. Mas pensei que pudesse vê-los mais um pouco.... Mas não. Meu marido dizia que eles estavam bem. Era tudo que eu sabia ali, inútil, deitada na maca. Uns  15 minutos  depois que eles nasceram, uma enfeirmeira chegou pra avisar que eles seriam trazidos pra eu ver. E quando eles chegaram, dentro de uma incubadeira, todos enroladinhos, o Diego com uma touca azul e as meninas de rosa, mal pude vê-los, ainda deitada, e ela me disse que precisava levá-los pra UTI neonatal. Eles tinham uma batalha grande pela frente e seria melhor se fossem levados pra perto dos olhos dos médicos e enfermeiras. Quase não vi meus filhos, não os toquei, e já tive que deixá-los nas mãos de outros.

Depois do obstetra fechar a barriga com uns 1000 pontos, foi a hora de tirar os pontos do colo do utero. Ele finalmente tirou e foi embora. Algum assistente de enfermeiro me levou pra sala observação. Fiquei, sozinha com meus pensamentos e tremendo muito (é sinal de que a anestesia está acabando). Logo me liberaram pro quarto.

Agora sim me sentia sozinha!

Sentia um certo silêncio dentro de mim, um medo grande. Um medo enorme de perdê-los agora que estavam aqui.

Meu marido ia pra UTI e voltava com notícias. Ia e voltava, ia voltava. Foi um dia longo...

As 17h30, após um banho (e um susto no espelho, claro), permitiram que eu subisse pra ver meus filhos na UTI. Em silêncio, sentei numa cadeira de rodas e fui levada. Eram tantas portas, elevadores, portas automáticas... Finalmente, chegamos na UTI que era distribuída em 3 salas, a primeira, perto da porta e da saída, eram pros bebês que já tinham alguma previsão de alta. A do meio, pra quem já estava melhor, mas ainda sem previsão de alta. E a última, pra quem ainda tinha um caminho longo a percorrer. O meu trio estava na última sala.

O Pira tinha já alguma intimidade com o local e foi caminhando pra "casinha" deles. Cada um estava numa incubadora. Não me lembro quem eu vi primeiro... Lembro de quando vi, pela primeira vez, a Beatriz bem de pertinho. Ela tinha 35 cm e 855gr! Era pele e osso. Tão pequenina, tão pequenina... Comecei a chorar descontroladamente... Meu Deus! Uma culpa enorme tomou conta de mim. Porque isso aconteceu?

Conversamos bastante com o pediatra e ele logo me acalmou pois disse que a Beatriz era forte demais e que estava respirando sozinha, enquanto os outros iam precisar do sepape. Pra quem não sabe, o sepape é um aparelho que ajuda os pequeninos a respirar. Dá pra ver na foto do Diego e da Liz.

Ele me disse também que a luta seria boa e que as próximas 72 horas eram as mais importantes pra eles. Eles perderiam peso (imagina como a bia ficaria) mas que em uns 3 dias iam começar a ganhar peso. O que poderíamos fazer? Bom, no meu caso, tirar leite, muito leite pra que eles pudessem receber anti-corpos pela sonda e para prevenir infecções.

Muita gente me pergunta como eu aguentei não poder segurar meus filhos no momento em que eles nasceram. Acho que é uma boa pergunta... Mas sabe o que eu acho? Quando não se tem opção, a gente aguenta tudo. E aguenta calado! Impotente diante do que não conseguimos mudar.

Na ordem: Diego, Liz e Beatriz na UTI quando ainda não era possível mais que segurar a mãozinha deles!



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