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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A gravidez do trio - parte III

Descobrimos a gravidez no dia 29/08/2007, alguns dias antes do esperado.
No dia 2 de setembro fiz um exame de sangue no Salomão e Zopi, ali do paraíso: http://www3.szd.com.br/site/catalogo/index.php

E o resultado deu mega positivo! Quando falamos com o médico, ele já me alertou, tudo indicava que tinha mais de um lá. Ele me disse pra esperarmos até a 6ª semana da gestação, para então passarmos no consultório para um exame de ultrassom. Claro que eu estava quase morrendo de ansiedade, mas esperei por esse dia. Eu tenho os exames gravados em DVD, em algum lugar, com datas, que adoro saber, mas estão em uma pasta arquivada e que eu não tenho acesso aqui.

Mas quando chegou o dia, descobrimos que eram 3 bebês, todos já com o coração batendo... Meu marido estava feliz, muito feliz. Eu nem sei se eu estava feliz mesmo, acho que o medo de perdê-los já me dominava. O médico disse que um outro saco gestacional, além dos 3, havia se formado, mas que não tinha ido pra frente. Imagina só! 4???? Além disso, ele disse que um dos 3 estava com uma certa alteração no batimento cardíaco, ele acreditava que esse embirão tinha chances de não ir pra frente.... Respiramos fundo, ouvimos tudo que ele tinha a dizer.

O Dr. Felipe me disse, desde o primeiro dia, que caso essa gravidez vá pra frente, ou seja, passe das doze semanas iniciais, ela não seria uma gravidez fácil e sim uma gravidez de alto risco. Eu, sinceramente, não conseguia ouvir nada direito.... Eu só queria passar da 12ª semana. O próximo ultrassom deveria ser realizado apenas na 12ª semana. Vixe... Depois da última experiência que tive, não ia suportar. Logo na 7º ou 8ª semana, liguei pro médico e disse a ele que estava muito nervosa e queria saber como estavam meus bebês. Precisava fazer um ultrassom. Ele me acalmou e me disse pra ir pro pronto socorro, mesmo achando que eu não tinha nada. Fiquei tão feliz com o apoio dele e do maridão também. Depois desse dia, acredito que eu tenha ido uma vez ou mais por semana ver meus bbs. E as semanas iam passando e eu ia ficando mais confiante na gravidez. Quando passamos da 11ª semana, eu estava incrédula! E muito, muito feliz. Todos os 3 estavam lá, firmes e fortes! quanto alegria.

Na 12ª semana, fomos para a consulta com o Dr. Felipe. Eu estava tão feliz que não cabia dentro de mim mesma. Eu já estava em expansão. hehehehehe. Nessa consulta ele fez seu primeiro palpite, acho que são 2 meninas e 1 menino...

Depois dessa consulta, se tudo estivesse bem com eles, eu contaria para o mundo que estava grávida. E sabe o que aconteceu? Ele já marcou a cerclagem. Meu Deus do céu, que diabos é isso?

O que é Cerclagem?
Introduzida na Ginecologia e aperfeiçoada a partir de 1953, a cerclagem consiste em “costurar”o colo do útero da gestante para evitar que o feto nasça prematuro. É indicada àquelas que têm o colo do útero curto ou esperam múltiplos. Deve ser realizada entre a 14a e a 16a semanas de gestação. O procedimento tem salvado muitos fetos, em especial quando associado com repouso.


Apesar de sempre ter sido muito medrosa, pelos meus filhos, pelo desejo interminável de ser mãe, eu faria qualquer coisa. E passei pela cerclagem, na 13ª semana, que feita pelas mãos do Dr. Felipe, foi perfeita e segurou meus pimpolhos até a 31ª semana de gravidez, data marcada para a cesárea, em decorrência do déficit da curva de crescimento da Bia. 
Lembro do dia da cerclagem  como se fosse ontem. Minha barriga já apontava, redondinha, demos entrada no hospital santa joana (http://www.hmsj.com.br/), morrendo de medo, com a respiração suspensa, de tanta tensão.
Lembro-me que pra tomar a anestesia, não pude tomar o remédio pra dormir e tive que tomar a anestesia a "seco" e pior, ouvi todas as conversas do médico com a enfermeira etc. Passei a cirurgia toda consciente. Nossa, como chorei, meu Deus! E meu marido nem podia ficar comigo, ficou do lado de fora... Uma enfermeira louca, esperando comigo já na maca pra entrarmos na sala de cirurgia, começou a falar de algumas mães que haviam perdidos seus bebês... Fala sério!!! Eu chorava sem parar, soluçando de medo! Eita mulher medrosa!

 

Mas quando acabou, no dia seguinte, fizemos um exame de ultrassom e todos continuavam lá, firmes e fortes. E pela segunda vez, a médica do ultrassom chutou, acho que são 2 meninas e 1 menino.  

A partir dai, começamos a ler muito sobre trigêmeos e o risco do nascimento prematuro ao extremo. O médico já havia nos falado, a chance de eles precisarem da UTI neonatal era enorme... Mas não tinha como segurar a gravidez até a 38ª semana, como num nascimento a termo. Olhem só minha barriga na foto acima, eu estava com umas 14 ou ou 15 semanas, não estava com mais do que isso. E isso dá um pouco mais de 3 meses de gestação.
Essa foto de baixo dá pra ver uns "roxos" na pele. O maridão aplicava, todo santo dia, uma injeção subcutanea, anti-coagulante, se não me engano. Quando ele tomava uns drinques a mais, eu ligava pra titia Ivy. E ela vinha aplicar... Essa foto é de janeiro de 2008, 2 meses antes de eles nascerem (22 ou 23 semanas)... Eu já estava enorme demais!!!!
  

Mas a partir da 20ª semana, parei de trabalhar propriamente dito, ou seja, revisava contratos do meu computador em casa, mas não mais saia todos os dias pro trabalho. Levei super a sério o meu repouso e não estava preocupada com mais nada nessa vida. Só pensava neles, na minha família e na minha barriga. Do excesso de peso, eu cuidaria depois... Da profissão de advogada, também. Mas tive muita sorte, meus chefes, duas pessoas muito queridas na CIBRASEC, foram maravilhosas comigo. Tenho umaq dívida eterna com eles... Foram muito carinhosos, compreensivos e passaram do nível do profissional. Serei eternamente grata pela maneira como fui tratada por eles nesse período.

E tudo foi correndo bem, até a 25ª semana, quando eu com muito dor muscular, fui parar no pronto socorro. De lá, após um ultrassom, o médico ligou para o Dr. Felipe e ele parecia realmente preocupado. Fomos até o Dr. Felipe na segunda e ele confirmou, a Beatriz estava recebendo pouco alimento ou menos oxigenação. De modo geral, eu precisava ficar ainda mais de repouso... E precisava segurar meus bebês no mínimo até a 28ª semana.

Desse dia em diante, eu mal levantava da cama, ficava o dia inteiro deitada, levantava pra almoçar, tomar banho... via televisão o tempo todo e conversava com os meus bebês. O regime de engorda estava funcionando... Nossa senhora!

E quando chegamos na 28º semana, ficamos todos felizes! E bora tentar empurrar o tempo com a barriga! Literalmente... Mas com o passar das semanas, a situação da Bia estava cada vez pior. A gente tinha medo que algo acontecesse com ela, mas acabou dando tudo certo. Quando rompemos a barreira da 30ª semana, o Dr. Felipe me disse: vamos preparar o nascimento dos pimpolhos? Ele receitou algumas injeções de corticóides pra prepar o pulmão deles pro nascimento e tomei todas, já muito ansiosas.

No dia 9 de março de 2008, demos entrada no Einstein, logo no fim do dia:

http://www.einstein.br/Paginas/home.aspx


E o resto da história está dividido em mais 4 posts:

http://maede3eadvogada.blogspot.com/2011/08/10032008-parte-i.html
http://maede3eadvogada.blogspot.com/2011/08/10032008-parte-ii.html
http://maede3eadvogada.blogspot.com/2011/08/10032008-parte-iiii.html
http://maede3eadvogada.blogspot.com/2011/08/10032008-parte-iv.html

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

720 fraldas e o adeus a elas!

Quando eles nasceram, eu mamãe de primeira viagem, não tinha a menor idéia do fazer da vida com uma criança, imagina com três. Então, resolvi adotar uma tática que acho que me salvou de enlouquecer de vez: eu só ouvia e seguia orientação e palpites de médico ou de pessoas minimamente qualificadas e experientes com bebês prematuros ou bebês trigêmeos. Se não tivesse essa qualificação mínima, podia dar o palpite que quisesse, mas entrava por um ouvido e sai pelo outro. Sem dó!!!! Heheheheh.

Bom, como eles ficaram um longo período na UTI, acabamos seguindo uma série de orientações dos pediatras e enfermeiras de plantão e dentre elas, adotamos os horários e a rotina da UTI. Quando se tem 3 bebês pra cuidar, principalmente recém-nascidos, a rotina é essencial para os cuidadores e paras os bebês. Isso deixa todo mundo consciente das tarefas e acontecimentos do dia. E olha, quando a gente sai da rotina (isso até hoje), o preço é alto, não é barato não... Mas enfim, em relação à rotina da UTI, maridão fez uma planilha e acompanhávamos o desenvolvimento deles através deste controle, mamada, troca de fralda, xixi, cocô, febre, tosse, remédio etc. Os enfermeiros trocavam as fraldinhas deles de 3 em 3 horas. E, fazendo uma conta de padeiro, pra calcularmos a quantidade de fraldas despendidas num mês, temos o seguinte:

CONTA DE PADEIRO (E DE ADVOGADO)
7 trocas de fraldas comuns + 1 fralda da noite x 3 bebês = 24 fraldas
24 fraldas x 30 dias = 720 fraldas por mês (num mês de 30 dias)

Jesus cristo!!!! 720 fraldas por mês!!!! Estávamos falidos!!!!
Peguei agora o preço de um pacote de fraldas pampers básica, que eu usava pro dia e chuta o preço? R$ 25 reais o pacote com 40 fraldas. 40 fraldas????? Isso não é nada.
Se a gente pega R$ 25 e divide por 40, dá R$ 0,62 por fralda.
Então veja só: 0,62 x 720 = R$ 446,4 em FRALDAS!!! E essa conta foi feita com fraldas baratas e pouco resistentes!!!!
Sabe o que a gente fazia? Uma vez por mês a gente comprava fraldas num depósito de fraldas no Brás que saia muitoooooooooooooooo mais em conta. Tudo bem, tudo bem, continuava sendo um dinheiro gasto em fraldas, mas já era bem melhor.
Tá ai um lugar legal pra comprar, fica a dica: http://www.jnfraldas.com.br/ Matriz: Rua Rio Bonito, 1682 – Pari, Seg. à Sex. 07:00h às 18:00h Sáb. 07:00h às 14:00h

Falei tudo isso sobre as fraldas pra dizer que o trio está livre das fraldas durante o dia. À noite, a mamãe aqui ainda não tomou coragem pra tirar, apesar dos pedidos da tchurma. A gente demorou um pouco pra estabilizar a retirada da fralda, foi meio difícil. Nos primeiros dias, era xixi em tudo que é lugar, na sala, no quarto deles, no quarto de brincar... Foi meio complicado... Eu estava me sentindo morando numa pocilga, sem qualquer higiene! Começamos o processo e realmente resolvemos fazer da maneira mais tranqüila possível porque na base da bronca não ia rolar. Então, depois que eu relaxei, acho que eles também relaxaram. Tivemos muitas mudanças desde o ano passado e realmente acredito que eles precisam de um tempo pra se adaptar à todas elas.
O processo se iniciou em dezembro de 2010 e a Liz e o Diego demoraram umas semanas para deixar de fazer xixi na calça. A Beatriz foi mais resistente e demorou bemmmmmmmmm mais que isso. Até hoje deixa escapar, se não for lembrado do xixi. O nº 2 demorou mais um pouquinho, acho que só depois de uns 4 meses, eles começaram a pedir pra ir ao banheiro.

Hoje todos os três pedem direitinho, mas eu continuo insistindo de hora em hora, pra eles irem no banheiro, principalmente a dona Beatriz. Semana passada conversei com os 3 sobre o início da retirada da fralda noturna. Tá na hora! Então passei já a dar menos líquido pra eles e falei que assim que esse frio fora de época passar (tá frio em Sampa), vamos abolir definitivamente as fraldas. Até porque, em muito breve, não haverá mais tamanho suficiente de fralda. Hoje eles usam XXG. E olha, eles estão bem animadinhos... Muito mais que eu! Até porque, preciso fazer meu estoque de jogos de lençol!
E sabe qual será a técnica a ser adotada?
1)      diminuir líquidos depois das 18h;
2)      levar pra fazer xixi antes de dormir, lá pelas 21h;
3)      acordar o trio à meia noite pra fazer xixi (espero dividir essa tarefa com o maridão);
4)      nos primeiros dias, acordar o trio lá pelas 5 da manhã pra fazer xixi.

Estou exausta só de pensar. Por isso estou enrolando até agora....

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Diego e o significado do sapatinho vermelho...

Bom, voltando ao primeiro ano deles, quero falar da saída do Diego.
Quando a gente tinha se acostumado com a rotina da UTI, eles resolveram liberar o Diego pra ir pra casa. E agora?

Lembro-me da alegria, ansiedade e preocupação que aquele dia nos gerou. Eram quinhentas mil dúvidas, medo, insegurança... Ele era tão pequenino!!! Eu saberia cuidar dele? Lembro-me também do meu marido que me falou, inseguro: "será que vão deixar a gente levar esse bebezinho pra casa?  Isso é uma loucura...."
Até um termo de entrega tivemos que assinar.

Os prematuros tem chance de ter hemorragia cerebral quando nascem e em seus primeiros meses de vida. Dos 3, o Diego foi o único que ao sair do hospital, ainda tinha um pouco de hemorragia. Gente, hemorragia cerebral???? Isso assusta!!!! Mas o pediatra nos disse que no mês seguinte a gente tinha que trazer ele de volta pra fazer outro exame, mas que provavelmente isso se encerraria no trascorrer do mês.

Ele tomou as duas vacinas que precisava tomar, tomou banho e estava pronto pra sair. A gente trouxe o bebê conforto, onde ele viajaria de carro pela primeira vez. Era 7 de abril de 2008, 28 dias depois do nascimento. Não posso mentir, eu estava muito ansiosa e com muito, muito medo de cuidar de alguém tão pequenino e tão precioso. A UTI não me parecia mais ruim, ela parecia segura. E segurança era bom...A Liz e a Beatriz ainda não estavam prontas pra sair. Até hoje tenho dúvidas se receber o trio a prestação foi bom... Veja só: eu era mãe de primeira viagem. Meu pai que costuma falar que eu tenho 3 primeiros filhos e não tenho como aplicar o conhecimento adquirido com o primeiro filho no segundo.

Minha avó tinha mandado os sapatinhos vermelhos do Diego. Eu nem sabia que isso existia, mas é uma simpatia ou costume para trazer sorte e saúde para o bebê. Então, sapatinho vermelho nele. Quanto amor é possível sentir por uma pessoinha com menos de 2 kilos? Quanta ternura cabe no coração da gente?

Olha, vou te contar que quando eles nasceram realmente pude compreender o sentido da palavra instinto. E acho que instinto materno é algo tão surreal quanto a gravidez. A gente sente uma vontade louca de proteger a cria, é algo irracional.

Meu marido saiu do trabalho pra buscar o pequeno comigo, ao meio dia. Eu já estava lá, até pra poder passar mais tempo com a Liz e com a Bia, já que na parte da tarde estaria fazendo uma pequena adaptação com o Diego na casa dele e que ele nem conhecia. Assinamos o termo de entrega, colocamos o Diego no bebê conforto, nos despedimos das meninas e fomos escoltados pelo segurança do hospital até o carro.

Lembro-me bem do rosto do meu marido carregando o bebê-conforto e o Diego. A expressão era de tensão! Ele não queria acordar o pequenino e mal mexia o braço. Ia andando, sério, carregando ele, olhando pra mim, preocupado com o fluxo de pessoas no hospital. Esperamos o carro chegar, carro recém-comprado para receber o trio, a zafira de 7 lugares, colocamos ele atrás e demoramos um século para colocar o bebê-conforto preso no carro. Meu Deus! Que loucura. Como podia ser tão dificil?

Finalmente, entramos os dois no carro e não sabíamos se dávamos risada ou se poderíamos começar a chorar de tanto nervoso. Sorrimos pro Diego, nos demos um beijo e ligamos o carro. Nosso primeiro bebê queria ir pra casa e era isso que a gente ia fazer, levar ele pra casa.

E a cookie? Seria uma mudança radical pra ela também. Então a gente já vinha levando roupas usadas do Diego pra ela cheirar... hehehehehe. Depois eu conto sobre isso.

Alguns dias antes da saída do Diego, eu já havia contratado a nossa primeira babá. Qualquer dia desses  eu vou contar o número de empregadas e babás que tivemos nos últimos anos. Teve uma que ficou menos de 12 horas!!!! Inacreditável. Essa babá, chamada Fernanda, foi indicada de uma enfermeira do Einstein, então eu tinha esperanças que ia dar certo! Nem te conto o que aconteceu....

Olha só que príncipe! Meu menininho preparado pra sair da maternidade!



Nessa foto da pra ver o sapatinho vermelho feito pela bi-vó Lys especialmente pra saída triunfal dele...



Olha que gostoso o soninho no bebê-conforto dele!


Aqui o papai morrendo de medo de soltar o bebê-conforto e alguém levar nosso lindo filhote embora...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Colinho de mãe e pai!

Esses dias eu estava contando pra duas amigas como foram alguns momentos do nascimento deles e de que como foi difícil sair da maternidade, 7 dias depois do nascimento deles, sem carregar minha família comigo.

Logo no começo da gravidez trigemelar a gente ficou sabendo que a chance de eles ficarem na UTI alguns dias era muito grande. Até porque, o nascimento prematuro era quase certo. Não se sabia se a gravidez ia agüentar, 20, 30 ou no máximo, 36 semanas. Eu sempre tive esperança de poder carregá-los mais tempo, mas infelizmente, eles acabaram nascendo com 31 semanas. Assim, depois que eles haviam nascido, tivemos certeza que eles passariam uma temporada lá.

As 72 horas após o nascimento eram cruciais e eles finalmente, tinham tirado o tal do sepape (aparelho que ajuda a respirar). Eu ainda estava internada e pensei que demoraria muito tempo para poder pegá-los no colo. Eles agora recebiam meu leite pela sonda e tomavam soro na veia e os remédios para prevenir uma infecção. Estavam fora de perigo eminente e agora era preciso começar a engordar pra sair logo de lá.
Eu e meu marido estávamos numa visita já rotineira, conversando com um, depois com o outro e depois com o último. De repente, enquanto eu estava “visitando” o Diego na sua casinha quentinha, a enfermeira me perguntou: - você não quer segurar seu bebê? – meus pés tremeram, meu corpo todo sentiu a emoção, balancei a cabeça que sim, perguntei se era seguro e procurei meu marido com os olhos. Ele não me olhava e eu não conseguia emitir som sequer. Tentava falar, chamá-lo, mas minha voz não saia. A enfermeira levantou a portinha, arrumou ele e me deu. Eu estava sentada, com os olhos cheios de lágrimas, tentando chamar meu marido e segurando meu bebê, meu filho, meu menininho. Pedi, quase sem qualquer som, pra enfermeira chamá-lo... Ele se assustou, arregalou o olho e também começou a chorar... A enfermeira então perguntou se ele queria segurar a Beatriz e ele logo acenou que sim, também tremendo de tanta emoção. Ele a segurou, tão pequenina e ficamos os dois meio que petrificados com a emoção, com a delícia de sentir seus pequenos corpinhos em nossas mãos. Era emoção demais, era emoção demais...

A enfermeira nos avisou que não era bom tê-los por muito tempo fora da “casinha” e com medo, logo demos pra ela. Era tudo muito novo e pra gente, delicado. Eles ainda eram pequeninos e a casinha os mantinha quentinhos. Inacreditável, mas os bebês prematuros ficam nessa casinha porque não tem peso suficiente pra manter a temperatura do corpo estável. E assim, logo obedecemos. Mas e a Liz? Pensamos. E a enfermeira colocou ela no colo do meu marido, tão linda, pequenina e doce. E eu estava ao lado dele, olhando aquela imagem maravilhosa e emoção única, indescritível, insuperável.
Na ordem, Diego e Beatriz  no seu primeiro colinho!
E o segundo colinho da Liz, pois o primeiro acabamos não tirando fotos.
Era emoção demais...