Depois de muito choro, de muita dúvida e de muita dor, estávamos prontos pra tentar novamente. Mudei de médico e a ansiedade tinha aumentado muito.... Como eu tenho ovário policistico, o médico recomendou que tomássemos um remédio para estimular a ovulação e como a ansiedade era enorme, aceitei. E não deu outra, tomei um mês e nada, tomei no segundo mês e lá estava eu grávida de novo!
A gente estava voltando de um passeio maravilhoso: a gente foi até a bahia de carro! Passamos 3 semanas viajando, de praia em praia, de pousada em pousada, de bar em bar... Ai que saudade! Acho até podemos dizer que foi nossa segunda lua de mel.
Uma delícia! E quando voltamos, lá estava o exame de farmácia, comprovando a minha gravidez.
Fiz exame de sangue e depois, logo depois da 6ª semana, fizemos um ultrassom e lá estava a dupla: eu estava grávida de gêmeos. Nossa! que felicidade!
Dessa vez, porém, não contei pra ninguém. Nem pro meu pai eu contei. Eu queria contar só depois da 12ª semana e tinha certeza que dessa vez daria tudo certo. Passei todo o tempo tensa, preocupada, em panico com a idéia de perdê-los... Durante a semana, passava a hora do meu almoço vagando pelas ruas, presa em meus medos e ânsias, era incontrolável, não conseguia fazer nada pra impedir esse medo...
Lá pela 10ª ou 11ª semana de gravidez, eu sabia que eles não estavam mais lá. Tinha certeza! Liguei pro meu marido e combinamos de ir no médico. Chegamos lá, fui examinada e ele me disse que o colo do útero estava firme, não tinha sinais de sangramento, nada... Mas o médico fez um pedido de ultrassom e pra me tranquilizar disse pra eu passar e fazer um exame na URP, um centro de diagnósticos. E fomos direto pra lá. Esperamos, esperamos e fomos atendidos por uma médica. Eu estava tensa, tinha esperanças, mas o meu sexto-sentido sabia que eles já não estavam lá. Torcia muito pra estar louca, mas eu sabia...
E então, depois de alguns minutos de suspense, a médica confirmou, eles estavam sem batimento cardíaco.
As lágrimas rolavam pelo meu rosto, sem controle, sem qualquer controle ou vergonha. Não tinha nada mais que eu pudesse fazer.... Eles haviam partido, não sei porque, mas haviam partido. Meu marido chorava descontroladamente também. Meu Deus, porque eu os havia perdido?
Deste dia em diante passei a duvidar de que em algum dia seria mãe, de que poderia gerar um ser dentro de mim. Meu sonho de família tinha desmoronado.. Eu passei a ter medo de ver grávidas nas ruas, não conseguia suportar a dor.
Deste dia em diante, passei a achar esse mundo surreal! Não havia qualquer explicação para o aborto espôntaneo ! Ninguém conseguia explicar o que aconteceu. Acho até que nesse dia entrei em um processo de depressão, mas só fui saber disso quase um ano depois. Descobri que o luto tem um ciclo e na minha opinião, ele é de 1 ano. Tem gente que acredita que ele dura 3 meses, eu não acredito nisso. Eu demorei 1 ano pra me recuperar do primeiro aborto e mais um ano pra me recuperar do segundo aborto...
Pros curiosos, 1 ano depois dessa segunda perda, retomamos o projeto de ter filhos, mudamos de médico de novo, buscamos o melhor, fizemos tudo que era possível fazer e eles chegaram. Mas isso é outra história...

