É surreal essa relação da mulher
com a maternidade... Pelo menos a minha relação com a maternidade é bem
complexa.
Já disse uma vez e realmente
acredito que os meus filhos são tudo na minha vida, tudo mesmo. Eles conseguem
fazer brotar em mim quase todos os sentimentos possíveis.
São tantos os sentimentos, muitas
vezes até difíceis de decifrar, mas ontem, domingo à tarde, senti raiva da
minha filha. Inacreditável! Como, como pode uma mãe sentir raiva do seu filho? Mas
é verdade, esses sentimentos existem, mesmo os ruins. E é preciso tomar um
cuidado danado pra não explodir! Mas vou explicar.
Fomos ontem ao teatro assistir a
peça “Aladim”. Eles adoraram, como sempre, adoram um teatro. Mas o clima no
final da peça não estava bom. Todos estavam exaustos, eu inclusive. O dia tinha
sido longo, caminhada matinal, almoço, passada na decatlon, supermercado ,
passeio pelo bexiga e por último, teatro para encerrar o dia.
Na saída (e na entrada do teatro)
tem um Zé Mané que vende brinquedos da 25 de março por uma verdadeira fortuna. As
crianças ficam loucas (tanto na saída como na entrada) e ficam pedindo pra gente
comprar os brinquedos. Não dá pra comprar tudo o tempo todo. Até porque, a gente
precisa educar os filhos e dizer não é também necessário. Mas confesso que
enche o saco as vezes. E eles realmente querem muito e desejam muito ter a
coroa de princesa e a moto do Batman. Mas beleza, eu e o maridão resolvemos
educar e falar não, mas é sempre tenso.
Além disso, ficar do lado de fora
do teatro Ruth Escobar, para esperar o carro, não é tarefa fácil para pais de
trigêmeos de 3 anos. Um corre pra um lado, o outro pro outro e o último avista
um balão e fala 550 vezes que quer o balão da moraguinho ou do ben 10. E com
tudo isso somado, a gente começa a ficar nervoso... É como se tivesse alguém te
alfinetando de 2 em 2 segundos.
Mas beleza, chegou o carro. Ufa!
Começa a rotina de colocar cada um no seu lugar, pedindo para que se sentem,
colocando cinto de segurança... Nossa, o manobrista começa a te olhar feio,
afinal, vc está atrapalhando o fluxo do trabalho dele. Mais um elemento “dificultador”
do processo.
Quando finalmente todos estavam
sentados e com o cinto de segurança, ameaço bater a porta e já fechando a
porta, penso em dar aquela última olhadela, meio de lado, só para garantir, que
todos os pés e mãos estavam pra dentro do carro.
Nesse milésimo de segundo, não
sei como, vi os dedos da Liz pra fora do carro e consegui segurar a porta que
já estava se fechando... Peloamordedeussssssssssssssssssss! Eu quase fechei a
porta do carro (e com força) nos dedos dela. Eu ia ter que correr pro hospital
para salvar os dedos dela. Jesus amado! Que raiva! Sabe quantas vezes já pedi
para eles não fazerem isso? 1550 vezes. Mas não adianta, eles ainda são muito
pequenos e essa responsabilidade é minha! Mas confesso que senti muita raiva e
fiquei nervosa demais! Foi por muito pouco mesmo....
Ser mãe é estar também preparada
para sentir raiva do seu filho.
E depois ficar triste, muito
triste por ter tido raiva.
E jurar nunca mais tentar fechar
a porta do carro sem contar todos os 60 dedinhos deles dentro do carro.
Ave Maria!
Ave Maria!

