No total, tinha umas 15 pessoas na sala de cirurgia. Lembro do momento em que tive que me sentar e me foi pedido para enconstar (tentar, claro) a testa nos joelhos. Palhaçada... Brincadeira de mal gosto! A barriga que vinha encostar na testa e não ao contrário! hehehehe. Todos pareciam bem, felizes, calmos, praticando algo que praticam com muita naturalidade e com bastante frequência. A novata na sala de cirurgia era eu.
Maridão, obstetra, 1 pediatra pra cada criança, 1 enfermeira pra cada criança, 1 assistente para cada enfermeira, equipe de anestesia e tinha também, claro, os residentes que eram chamados para assistir o evento!!!! O circo estava com certeza armado! E eu lá, com a minha barriga e meus filhos prontos pra sair! Ai jesus! As pessoas circulavam de um lado pro outro, parecia que estavam levantando o acampamento para o circo.
Como o risco de fazer um parto normal era muito grande, tudo estava esquematizado para a cesárea. 31 semanas com eles na barriga e agora eu tinha de deixá-los sair pra vida, pra o que ela nos reservava. Lembro-me de alguns ensinamentos e aprendizados trazidos pelas 3 perdas anteriores e eles vieram a mente naquele momento. Eles viriam ao mundo e eu cuidaria deles e os amaria o tempo inteiro que estivéssemos juntos. E era isso que eu queria...
Em algum momento, depois que eu não mais sentia as minhas pernas, o Dr. felipe disse que ia trazer o primeiro e que eu ouviria um barulho... E ouvi, era a bolsa que se rompeu. Ele levantou o Diego, às 7:59 e com 1,7 kg e que logo gritou, um chorinho lindo, suave, gostoso e o dr. Felipe o entregou para o primeiro pediatra. Ele mexeu mais um pouco dentro da minha barriga, ouvi outro barulho de outra bolsa estourando, e lá chegou a Liz com 1,6 kg, às 8:00 da manhã. Demorou um pouquinho pra chorar, chorou de mansinho e ele entregou minha princesa para o outro pediatra. Mais alguns segundos e ele trouxe à vida, a Beatriz, também as 8 da manhã, com apenas 855gr. Pequenina, mas forte, chorou logo e mostrou suas garras para o mundo. Logo depois dessa avalanche de mudanças e de vidas, o Dr. Felipe pronunciou as palavras que nunca mais vou esquecer: "Pronto Ila, agora você está sozinha".
Em parte, ele tinha razão, meus pimpolhos, que por 31 semanas ocuparam pate do meu corpo, haviam ganhado vida própria. E estavam agora lançados ao mundo e brigariam muito ainda pelo direito de estar nele e de respirar sozinhos e ainda, de se alimentarem sem a sonda. Mas por outro lado, aquele dia me trouxe companheiros de vida. Minha vida mudou e virou de cabeça pra baixo (algumas vezes) desde aquele dia. Minha casa, que era silenciosa, nunca mais foi silenciosa... Na verdade, nem banho mais eu tomo sozinha esses dias.... Não tem um só dia, desde o dia 10 de março de 2008, que não agradeço por estar sozinha desse jeito!!! com a casa cheia de vida!
Aliás, esse blog está aqui pra não me deixar mentir, minha vida nunca mais foi a mesma desde então.
E eles finalmente chegaram! E todos os três.
A minha tia marta, preocupada com a minha inércia durante a gravidez, ofereceu-se pra fazer um enfeite de porta para a maternidade. Meu Deus! Eu não tinha pensando nisso... Também, com o medo que tínhamos de perder um, dois ou todos os três, não tínhamos coragem de preparar e de antecipar nada. Eu estava calejada demais com as 3 perdas anteriores em 2004 e em 2005 pra preparar qualquer coisa pra chegada deles que pudesse ser feita e depois perdida. Em 2004, logo que soubemos da gravidez, ganhamos vários presentinhos que eu fui guardando até a 11ª semana. Depois, nosso sonho foi embora e tive que jogar tudo fora. Frustrada, triste, impotente diante da vida ou da morte...
Mas minha tia, muito querida, fez o quadro “chegamos”, sem dizer nomes ou número. E o quadrinho, todo delicado, coloquei no quarto da maternidade logo assim que pude me levantar, após a cirurgia. E então percebi que eles haviam chegado e estavam aqui para ficar.
Agora uma coisa é certa: sozinha eu não tô não!!!!! Estou é muito bem acompanhada!

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