Trabalho fora x trabalho dentro de casa!
Olha, o trio tá demais da conta! Impossível! Acho que eles, quando percebem que eu estou cheia de trabalho (fora de casa), ficam doidos e bolam um plano pra me dar mais trabalho (dentro de casa). Não estou tirando um barato, não!? Eles sacam tudo direitinho... Ficam com ciúmes, saudades, carentes e PRECISAM, de uma maneira bem infantil mesmo, pedir atenção!
Sério! Eles querem me enlouquecer! E acho que faz parte de um grande plano para dominar a mamãe e deixar ela cada vez mais maluca. Vou te contar, se já não contei, que na minha opinião mãe de trigêmeos tem direito à insanidade completa e absoluta. Acho que é um direito adquirido mesmo, pela sua condição de mãe de trigêmeos... Falando sério, não dá pra ser normal com três crianças falando ao mesmo tempo, gritando, pedindo atenção... Tem dias que a Cookie, nossa Cocker spaniel, não quer nem saber e parte também pra competição: começa a latir sem parar até eu dar algum tipo de carinho.
Ontem, por exemplo, eu tava cansada, de mau humor por causa da superlotação do metrô e também por outros motivos, por não ter tido nem um minutinho no trabalho pra fazer coisas pessoais e tava, ahhhhhh tava, sem paciência. E quando busquei o trio na escola pensei em fazer algo diferente, pra deixar eles felizes... Mas saiu tudo errado e não deu certo...
Comprei um álbum de figurinhas pra cada um (dois das princesas e 1 dos carros) e 5 pacotinhos de figurinhas para cada. Jesus Cristo! Já no caminho de casa, a Liz tirou o cinto de segurança... ela mesmo que tirou, não fui e foi proposital. Ai eu virei pra ela e disse pra recolocar o cinto. E sabe o que aconteceu? Ela começou a gritar: mãe, eu quero o cinto, eu quero o cinto... E eu falei que agora a gente já tava chegando (faltava menos de 1 quarteirão) e que não valia a pena parar pra recolocar, se ela não conseguia por sozinha. Jesus. Ela foi gritando “eu quero o cinto” até chegar em casa... Imagina só, passei pelo segurança do prédio, entrei na garagem, estacionei, tirei as 550 malas que foram para a escola (ontem foi dia de natação), convenci todos a saírem do carro, fechei as portas, travei o carro, peguei as 550 malas, andei até o elevador (com alguns gritos de medo dos carros), esperamos o elevador, entramos no elevador (depois de algumas brigas entre a bia e o diego pra ver quem ia apertar o 17), enfiei todas as malas e crianças no elevador, esperamos as 2 ou 3 paradas até chegarmos no 17º andar, abri a porta do elevador, tocamos a campainha, esperamos, a cookie saiu pulando em cima da gente (gritos e mais gritos), coloquei as malas e as crias pra dentro, tirei o sapato, segurei a cookie (pra evitar os latidos) e a Liz lá, gritando: “mãeeeeeeeee, eu quero o cinto”.... Dá pra não enlouquecer de vez??????
Bom, as vezes me vejo “taking deep breaths” e ás vezes, como sou também filha de Deus, começo a gritar, pedir silêncio, pareço uma maluca mesmo... doida, doida varrida. Nesse dia respirei fundo, peguei ela pela mão e pedi pra ela parar, que a gente já estava em casa, que não tinha mais cinto na nossa casa... Com os olhinhos cheio de lágrimas, ela concordou... E consegui reaver o controle de novo. Ás vezes acho que vou perder o controle, como uma bomba relógio, prestes a explodir, mas dessa vez deu certo.
Como a situação estava complicada, acho que eles estavam morrendo de sono também, combinei com eles de fechar os álbuns e as figurinhas, jantar e ver uma TVzinha. Eles jantaram, daquela maneira de sempre, eu pedindo pra bia sentar e pra comer, tomando conta da Cookie, pedindo mais comida pra Nilda, aquela emoção de sempre. Vimos a mo, mo, mo, moranguinho pela 550ª vez e travei mais uma batalha pra colocar eles na cama. O Diego implicou com a meia e começou a sapatear pela sala... santo Deus! Entre mortos e feridos, salvaram-se todos que, em algum momento, lá pelas 21h, estavam dormindo. E eu, triste, arrasada e me sentindo uma mãe incompetente, fui dormir também....
Mas fui dormir com a promessa feita de ser uma mãe melhor no dia seguinte, como eu faço, quase todos os dias...
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